🛌 Eu não quero sair da cama.

A nostalgia vai salvar a internet?

Eu comecei esse post justificando todos os motivos pelos quais estava fazendo um blog, mas me dei conta de que podia fazer diferente. Então apaguei tudo e resolvi começar de novo.

Eu nasci em 2003, e meu primeiro contato com a internet aconteceu por volta de 2012. Caí direto no Facebook, que logo foi substituído pelo Instagram, e desde então transitei de site em site, caçando um lugar que fosse mais a minha cara. Parei no Twitter e matei minha conta ao mesmo tempo que o Elon Musk matava o passarinho. Em 2020, não peguei Covid, mas sofri com a febre do TikTok, que consumia as horas do meu dia até que eles começaram a se misturar. Na tentativa de achar uma internet mais limpa, fui parar no Reddit, mas logo me dei conta de que aquele lugar era um substituto espiritual do Twitter, então fugi de lá também, trazendo comigo a única coisa que achei de bom naquele lugar: meu melhor amigo.

Fui adepto da teoria de que o melhor lugar da internet tinha virado o lado de fora, mas então me lembrei dos blogs. Apesar de ter chegado meio tarde para essa festa, sinto que peguei o negócio de alguma forma mais filtrado. Na minha cabeça, os blogs ainda eram lugares com páginas complicadas, dezenas de anúncios pipocando na tela que nem o AdBlock mais competente dava conta, e pessoas tentando vender coisas. Não havia percebido que, de alguma forma, o Instagram atraiu os “blogueiros” que buscavam engajamento e deixou para trás apenas aqueles que escreviam por escrever. Então bateu aquela nostalgia de algo que eu nunca vivi, e agora eu tô aqui.

Hoje você tá lendo isso em uma página limpa, sem nenhum tipo de pop-up, anúncio ou checkout de vendas. Ali embaixo você encontra um botão de like, que nem ao menos te pede para criar uma conta, o mesmo com o Guestbook. Você tá lendo um texto real, feito por uma pessoa real, com problemas reais, em um lugar cheio de muitas outras pessoas reais. A Teoria da Internet Morta tem se mostrado cada vez mais verdadeira, mas lugares como esse mostram que a Web ainda é um lugar legal.

Posso passar mais um tempão aqui falando sobre como a busca constante por upgrades nem sempre leva a caminhos melhores, mas vou deixar isso para outro post. Em suma, hoje meu celular antigo parece bem mais interessante que o meu atual, e a internet de antes também. Mas, diferente do iPhone jogado na minha gaveta, a gente ainda pode tirar a poeira disso aqui e voltar a usar como as pessoas faziam antes. Simples assim.

Ainda não sei direito o que estou fazendo aqui, mas a gente pode descobrir isso juntos. Afinal, estamos todos no mesmo barco, remando contra tudo isso que a internet virou.

Eu sabia que amava aquele quadro. Eu estava na balsa. Dante estava na balsa. [...] E aqueles que tinham morrido cedo demais — [...] todas as pessoas perdidas que o mundo havia jogado fora estavam conosco naquela balsa, e seus sonhos e seus desejos também. E, se a balsa afundasse, mergulharíamos nas águas e nadaríamos até a costa. Tínhamos que chegar à costa por Sófocles e todos os cidadãos recém-chegados do mundo. Tínhamos aprendido que estávamos todos interligados, e éramos mais fortes do que qualquer tempestade, e voltaríamos às costas dos Estados Unidos — e, quando chegássemos, jogaríamos fora os mapas antigos que nos levaram a lugares violentos cheios de ódio, e as estradas que mapeássemos levariam todos a lugares e cidades com que nunca sonhamos. Éramos os cartógrafos dos novos Estados Unidos. Mapearíamos uma nação nova. Éramos mais fortes que a tempestade. Queríamos muito viver. Chegaríamos à costa com ou sem aquela balsa caindo aos pedaços. Estávamos neste mundo e lutaríamos para continuar nele. Porque ele era nosso. E um dia a palavra “exílio” não existiria mais. BENJAMIN ALIRE SÁENZ, Aristóteles e Dante Mergulham nas Águas do Mundo.