É assim que se mata um Brainrot?
Nos últimos meses, a internet me cercou de vários e vários vídeos desse leitor E-ink focado em portabilidade. Todo lugar aonde eu ia eu encontrava vídeos, pessoas comentando e compartilhando sobre esse kindinho (eu sei que a piada foi ruim) e eu comecei a me questionar se eu realmente precisava disso, afinal eu já tinha um Kindle. Isso é uma coisa que eu percebi quando entrei nessa de minimalismo. É muito difícil decidir se as coisas realmente vão ser úteis e valer a pena, ou se é apenas o capitalismo exercendo sua força sobre mim.

Mas esse negocinho resolveria o principal problema do meu Kindle: não estar sempre comigo. Não é que o Kindle seja uma coisa difícil de carregar, mas colocar isso no bolso não é uma coisa muito confortável de se fazer. E sabe aquela meia hora que você passa esperando o médico? Os cinco minutos na fila do mercado ou os quinze esperando a batatinha da air fryer? Seu Kindle nunca está ali e a única coisa no seu bolso é o seu celular. Então você tira ele do bolso e começa a rolar todo esse conteúdo superficial que vai desgastando sua mente e gerando declínio cognitivo, o chamado brainrot.
E é aí que esse carinha entra! Por ser do tamanho de um cartão de crédito e se fixar por MagSafe na traseira do seu celular, ele está sempre ao alcance. Cansei de ler sobre como a criação de um novo hábito exige facilitar o acesso a ele, e acredito que esse seja o ponto principal dessa coisinha. Você elimina o principal motivo para não ler, que é não ter um livro sempre no seu bolso.

Mas aí você começa a me questionar (como eu fiz): “você pode simplesmente ler no seu celular...”, e a resposta é não! Primeiro porque ele tem uma tela que não é saudável para passar tanto tempo lendo, e o pior de tudo são as notificações tentando roubar sua atenção a todo momento. Fora que o ícone do YouTube bem ao lado do ícone do seu leitor de EPUB vai chamar bem mais sua atenção do que ele. “Mas a letra deve ser muito pequena...”, e a resposta também é não! O tamanho da fonte, o espaçamento entre as palavras e o estilo da fonte são totalmente customizáveis, e o padrão é que as letras sejam do mesmo tamanho das que a gente já está acostumado no Kindle. A diferença entre eles vai ser também um dos pontos positivos do Xteink X3...

Por ter menos parágrafos na tela, a passagem de páginas (por meio de um botão extremamente satisfatório) diminui muito a fricção de começar a ler, uma vez que, por menor que seja o tempo disponível para leitura, você sente que dá para ler um pedacinho ou outro ao longo do dia, e no final dele você pode ter lido bem mais do que leria se sentasse apenas para fazer isso. Psicólogos, me corrijam se eu estiver errado, mas acredito que passar a página manda para o cérebro a sensação de progresso, que faz você sentir que está evoluindo na leitura e te faz querer ler mais. E acho que não ter touchscreen é uma das vantagens aqui, já que você clica várias vezes nesse botãozinho físico para pular a página e manda constantemente essa sensação de progresso para o cérebro. Já que estamos tão viciados em conteúdos rápidos, não seria mais saudável substituir isso por leituras rápidas?

Bom, esse post não é uma publicidade e eu não quero incentivar você a comprar isso se não fizer sentido para você como fez para mim. Mas, caso se interesse, existem vídeos incríveis no YouTube que com certeza vão explicar isso bem melhor do que eu, e você pode encontrar os meus favoritos aqui: Kobus Erasmus, ThechDweeb, illia, foci.

Também não tenho links nem cupons de desconto, mas posso dizer que comprei pelo Mercado Livre e que, por ser uma compra internacional, ele demorou algumas semanas para chegar, mas não foi taxado por se tratar de um dispositivo de leitura. Estou escrevendo esse post antes mesmo de receber o meu, mas, se você está lendo isso, percebeu pelas imagens que acabei de recebê-lo, embora ainda não tenha testado. Talvez eu volte daqui a um tempo para contar como está sendo a experiência com esse kindinho (sim, eu fiz a piada ruim de novo), se foi uma daquelas coisas que realmente mudam a vida ou se foi apenas o capitalismo vencendo mais uma vez.