Especial de mesversário do blog: Um dia eu saio da cama.
Hoje o blog completa seu primeiro mês e eu não poderia estar mais contente com tudo que isso aqui se tornou! O blog nasceu da necessidade de colocar as coisas que sinto para fora, e eu não fazia ideia de que tantas pessoas leriam as coisas que eu escrevo e deixariam mensagens tão legais para mim! Falei um pouco sobre como foi a experiência de ter um blog nesse post aqui e queria usar esse outro para duas coisas: primeiro, agradecer a todo mundo que fez o “Eu não quero sair da cama” esse lugar tão especial para mim e, então, contar um pouco sobre como o nome do blog surgiu.

O primeiro pedaço do bolo (ou a primeira panqueca da pilha) vai para o Zeh. Foi ele quem disse que eu deveria tentar compartilhar as coisas que escrevo e reacendeu a ideia que eu havia abandonado há alguns anos. Apesar de tudo ter começado com ele, fazer isso em um blog só aconteceu quando eu conheci o blog do Thiago e troquei alguns emails com ele. Se você está lendo isso hoje, nesse lugar, é graças a esses dois!
Também não poderia deixar de agradecer a todos que leem as coisas que eu escrevo e que tiram tempo para deixar mensagens tão especiais no meu Guestbook: Julie, Mikah, Aggie, Maria, Semmy, Garrafas ao mar, Th, tomanotas. Muito obrigado por passarem por aqui!
Quero agradecer a todos os outros que, mesmo não entrando em contato comigo, passam por aqui e deixam uma curtidinha nos meus posts! É muito legal saber que vocês gostaram algo que eu escrevi :)
Também não poderia deixar de agradecer ao pessoal do Entreblogs que me receberam com tanto carinho e que mantêm a blogosfera viva. Sem vocês acho que eu teria desanimado antes mesmo de o blog completar o primeiro mês.
Por que eu não quero sair da cama?
Em 2022, durante o primeiro ano do curso de arquitetura, eu me vi completamente sem amigos e isolado em uma cidade nova. Aos poucos, perdi o contato com os amigos do Ensino Médio e tive muita dificuldade de fazer novos. Já nos primeiros meses, descontente com o curso e percebendo os primeiros sinais de depressão, comecei a escrever. Primeiro com a ideia de documentar as coisas caso algo acontecesse e depois pela vontade de colocar isso para fora, afinal, eu não tinha ninguém que me ouvisse ou com quem pudesse conversar, e eu me sentia sozinho.
Quando as coisas se acertarem e esses pensamentos passarem eu deveria parar de escrever. Escrever é uma daquelas coisas que te fazem mal. Te faz refletir demais e chorar. Pessoas normais não escrevem, elas apenas vivem. Gabriel, 26 de fevereiro de 2022.
A ideia era de que esses textos, crônicas e poemas se reunissem em uma espécie de livreto, do tamanho de meia folha A4 e que eu pudesse deixar pelos lugares em que passasse. Algum tempo depois, veio o nome “Eu não quero sair da cama”, como uma síntese de tudo que eu havia escrito. A medida que o projeto começou a ganhar forma, percebi que os textos foram adquirindo um tom pessoal e pesado demais para que qualquer pessoa, além de mim, tivesse contato. Se “A Little Life” foi chamado de “pornô de tortura”, o “Eu não quero sair da cama” era pura pornografia de sofrimento, sem beleza ou pudor algum.
[...] cansado de mim. Cansado desse apartamento. Sinto as paredes me sufocando e me absorvendo. Hoje pensei em tomar alguns comprimidos, mas então lembrei que estou sozinho e a imagem do meu cadáver apodrecendo sobre a cama me fez chorar. Nem ao menos as pessoas entenderiam.” Gabriel, 27 de junho de 2022.
As coisas escalonaram ao ponto de eu ser obrigado pelos meus pais à voltar para casa, e em um mês eu já estava bem longe lá. Caí na conversa de um primo que me prometeu trabalho e estudo, e após algumas semanas, me dei conta de que havia tomado uma decisão ruim em aceitar a proposta. Mas apesar de tudo, fiquei porque não suportava a ideia de voltar para casa dos meus pais. Foram seis meses trabalhando todos os dias, sem remuneração alguma, sem tempo para os estudos e cercado de cobranças em meio a uma família doente e completamente alucinada pela religião.
Tenho tido muitos pesadelos. Tenho chorado de saudade até dormir. Tenho tido muita chance de ficar calado. Tenho tido muita vontade de voltar. Tenho me sentido estrangeiro dentro do meu próprio país. Tenho tido muita pena da minha mãe, por ter me tido. Tenho sentido saudade da correria da vida acadêmica. Tenho sentido muito frio, e saudade de entrar no cinema como que por acaso e assistir seja lá o filme que estivesse passando. Tenho olhado muito para o passado. Não consigo enxergar meu futuro. Nem um dia ou dois a frente de mim. Joseph, tenho me perdido em meio a tantos particípios passados [...]. Gabriel, 28 de junho de 2023.
Até que, na semana em que implorei para que meus pais me buscassem, um tio apareceu com uma oportunidade de emprego em Curitiba e minha vida foi completamente transformada. Apesar de não gostar tanto do emprego, me senti livre de verdade pela primeira vez na vida e então parei de escrever. Um ano depois, fui demitido e tomei a decisão de voltar para minas e tentar medicina mais uma vez. Não digo que ter abandonado meu sonho pela segunda opção de curso foi um erro, afinal eu só saberia se tentasse, mas é que quando você faz sua segunda opção, fica aquele sentimento de que você fracassou na primeira e eu não conseguiria lidar com isso pelo resto da minha vida.
Agora, nesses últimos dois anos, por uma série de motivos eu voltei a escrever e, mais uma vez, veio a vontade de ser ouvido. Então a ideia do blog nasceu e eu resolvi resgatar o “Eu não quero sair da cama” porque, bem, talvez eu ainda não queira sair dela, mas eu sei que um dia eu vou.